O Papel do Bibliotecário Jurídico na Gestão Estratégica de Conhecimento e Informação

 

O Papel do Bibliotecário Jurídico na Gestão Estratégica de Conhecimento e InformaçãoFilipi Junio Pacheco de Oliveira (CRB-6/4204) é um exemplo de como o papel do Bibliotecário tem se adaptado à realidade dinâmica do mercado jurídico. Com 15 anos de experiência, ele atua hoje no escritório Madrona Fialho Advogados, em Belo Horizonte (MG), e tem se destacado por um enfoque que vai além das funções tradicionais da biblioteconomia, como organização de acervos, para se envolver de forma mais estratégica na gestão do conhecimento e curadoria de informações jurídicas.

Começou sua trajetória profissional em 2010, ainda durante a faculdade, e passou por diversos escritórios de advocacia, incluindo grandes escritórios no Brasil. Ao longo dos anos, ele percebeu que o Bibliotecário jurídico precisa ser mais do que um responsável por catalogar livros e documentos. Em vez disso, ele se tornou um especialista na organização e análise de informações essenciais para o trabalho dos advogados, ajudando a transformar dados em conhecimento útil para o dia a dia jurídico.

Ao contrário do que se poderia esperar, o Bibliotecário jurídico não se limita apenas ao papel de organizar uma biblioteca. “A profissão evoluiu muito. Hoje, a função é entender as necessidades dos advogados, a dinâmica de trabalho deles e o ritmo acelerado dos prazos”, explica Filipi. A curadoria de informações, a gestão de dados jurídicos e a antecipação das necessidades do escritório são algumas das tarefas que compõem sua rotina.

Ele vê a profissão como essencial para a eficiência dos escritórios de advocacia. “Não se trata apenas de organizar livros e arquivos, mas de garantir que a informação correta esteja disponível no momento exato, otimizando o tempo dos advogados e ajudando nas decisões estratégicas”, afirma. Em sua visão, o Bibliotecário jurídico precisa ser proativo e entender o funcionamento do setor jurídico para poder antecipar as necessidades dos profissionais da área.

O profissional, que também tem experiência em escritórios de grande porte em São Paulo, percebe que o mercado de Belo Horizonte ainda está distante da realidade vivida nas capitais mais dinâmicas. “Em Belo Horizonte, a maioria dos escritórios ainda não reconhece o Bibliotecário jurídico como um profissional essencial. O mercado é mais restrito, e quem contrata esse profissional geralmente já tem uma visão mais acadêmica ou está mais familiarizado com a função”, aponta.

Ele também destaca que a formação dos profissionais em Minas Gerais ainda não está completamente alinhada com as demandas do mercado privado, o que torna a entrada de novos Bibliotecários nesse nicho mais difícil. “A formação acadêmica no Brasil, especialmente em Minas Gerais, não evoluiu na mesma velocidade das necessidades do setor privado. O currículo ainda está muito voltado para o público e não atende plenamente as demandas da advocacia”, afirma Filipi.

Em sua rotina, Filipi precisa lidar com prazos apertados e informações complexas. Para ele, a capacidade de ser proativo e de trabalhar com um controle rigoroso da informação são qualidades indispensáveis para o Bibliotecário jurídico. “A responsabilidade é fundamental. Trabalhamos com uma grande quantidade de dados e temos que entregar as informações no tempo exato. O ritmo no direito é muito acelerado, e o Bibliotecário precisa estar sempre preparado para atender a essas demandas”, explica

Outro ponto importante é o conhecimento técnico do profissional. Para ele, a especialização em áreas como inteligência competitiva e curadoria de conteúdo é um diferencial. “A formação continua sendo importante, mas o Bibliotecário jurídico precisa entender a lógica por trás das informações e ser capaz de utilizar ferramentas como o Power BI, por exemplo, para otimizar a gestão de dados e oferecer insights estratégicos para os advogados”, diz Filipi.

Também faz uma crítica ao Conselho Regional de Biblioteconomia 6ª Região (CRB-6), especialmente no que diz respeito à atuação do Conselho em Minas Gerais. “Sinto que o CRB de Minas não tem dado a devida atenção ao mercado privado. Ele ainda está muito focado no setor público, e o profissional da área jurídica acaba não se sentindo representado”, declara

Para ele, o Conselho poderia ter um papel mais ativo na promoção de eventos e iniciativas voltadas para o setor privado, a fim de valorizar o Bibliotecário jurídico e aproximá-lo dos escritórios de advocacia. “Em São Paulo, a realidade é diferente. O CRB tem um papel mais proativo no setor privado, e isso se reflete em uma maior valorização do profissional”, diz.

Ele representa uma nova geração de Bibliotecários jurídicos que buscam se afastar das funções tradicionais e se inserir de maneira mais estratégica no funcionamento dos escritórios de advocacia. Seu trabalho com curadoria e gestão do conhecimento é uma resposta à crescente demanda por informações rápidas e precisas no ambiente jurídico.

Contudo, ele também aponta desafios, como a falta de preparação das universidades e a pouca visibilidade do papel do Bibliotecário no mercado privado. Para que o Bibliotecário jurídico seja plenamente reconhecido como um profissional indispensável nos escritórios de advocacia, será necessário um esforço conjunto para repensar a formação acadêmica e a atuação de conselhos como o CRB-6.

Em um mercado cada vez mais competitivo e dinâmico, a chave para o sucesso do Bibliotecário jurídico será sua capacidade de se adaptar, se especializar e mostrar seu valor através da entrega de informações úteis e estratégicas para o dia a dia dos advogados.

Fonte: CRB 6

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